Aberto
na última sexta-feira, pelo ministro Jorge Hage,
o 1º Seminário Nacional de Controle Social,
promovido pela Controladoria-Geral da União (CGU),
encerrou-se ontem (domingo), após três
dias de discussões e troca de experiências
sobre as formas de fomentar a participação
dos cidadãos no controle sobre a aplicação
dos recursos públicos. Do evento participaram
cerca de 500 lideranças comunitárias e
integrantes de conselhos de programas de governo, de
todas as Regiões do País.
O gerente de Fomento ao Fortalecimento da Gestão
e Controle Social da CGU, Fábio Félix
Cunha da Silva, expôs em um dos painéis
de discussão a execução do Programa
Olho Vivo no Dinheiro Público e a experiência
da Controladoria no estímulo ao controle social.
As ações educacionais, segundo ele, são
o caminho encontrado pela CGU para estimular e fomentar
o controle social pelos cidadãos.
Cursos
e concursos
O
Olho Vivo no Dinheiro Público, segundo Fábio
Félix, é um dos caminhos que a CGU tem
utilizado, com êxito, para fazer chegar aos municípios
brasileiros informações sobre como o cidadão
pode participar do controle social de sua cidade. Durante
a palestra, o gerente informou que a CGU vem realizando
atividades de fortalecimento da gestão e controle
social, com ações do Olho Vivo, cursos
a distância e concursos sobre a ética e
a cidadania nas escolas.
De
acordo com Fábio Félix, o Programa Olho
Vivo da CGU já realizou 245 eventos, capacitando
e mobilizando 26.850 cidadãos. Os cursos de educação
a distância capacitaram 7.913 pessoas, e, nos
concursos de desenhos e redações, foram
mobilizados 477 mil estudantes e sensibilizados 16 mil
professores.
A
representante da organização não-governamental
(ong) Cáritas Brasileiras, Gilsely Barreto, durante
a sua a apresentação, traçou um
perfil das iniciativas e experiências do controle
social da Rede Cáritas, que é um organismo
ligado à Igreja Católica e que desenvolve
um trabalho de assistência social em todo o Brasil.
Gilsely chamou a atenção para a importância
de aliar o controle social às mobilizações
sociais. "Esse controle social vem fortalecer e
ampliar as pautas da sociedade civil."
Sala
da transparência
O
presidente do Instituto de Fiscalização
e Controle (IFC), Henrique Ziller, mostrou durante sua
palestra o trabalho que a entidade tem feito no combate
à "cultura patrimonialista", segundo
a qual o recurso público pertence ao prefeito,
o que acaba criando um "círculo vicioso",
em que os prefeitos se sucedem e a população
se acomoda com o "desmando" praticado com
o dinheiro público nos municípios.
"A
gente luta contra essa cultura, mobilizando o cidadão
para que ele passe a ser um fiscal daquilo que é
dele mesmo, que é o recurso público”,
explica o presidente do IFC. Segundo Ziller, no âmbito
do IFC, os ganhos têm sido enormes, entre eles
a cassação de prefeitos, a partir de ações
judiciais desenvolvidas por ong's, ou ações
políticas nas câmaras de vereadores. Ele
citou como exemplo a criação de uma sala
da transparência, no município paulista
de Ribeirão Bonito, para que o cidadão
possa ter acesso a qualquer documento da prefeitura.
Novas
ferramentas
O
diretor do Instituto Ethos, Caio Magri, disse que já
existe um amadurecimento do movimento social e uma preocupação
das entidades da sociedade civil em combater a corrupção
em seus locais de trabalho, em suas respectivas áreas
de atuação, em seus estados e municípios.
Para
Magri, a corrupção continua crescendo
no Brasil, apesar do combate que está sendo realizado,
e a CGU é, segundo ele, uma prova desse combate.
“Mas ainda temos que fazer muita coisa em nível
dos estados e municípios, e espero que essa Conferência
possa sinalizar uma nova forma de organização,
um novo patamar de organização da sociedade
civil para dialogar com o estado, criando novas ferramentas,
novos mecanismos para combater a corrupção",
afirmou.
Divulgar
informações
Servidor
público municipal e assessor de um vereador em
Angra dos Reis (RJ), Clenilson Belo, participou do seminário
e considerou “muito interessante a possibilidade
de trocar experiência, o que permite a apresentação
de propostas que incentivarão a participação
do cidadão no acompanhamento das contas públicas
lá em Angra dos Reis.”
Uma das idéias, segundo ele, é estimular
atores sociais do município para a criação
de site que divulgará as contas do município.
“A divulgação da informação
estimula o controle social e as organizações
da sociedade civil para uso dos instrumentos legais
já disponíveis”, disse ele.
Fóruns
municipais
Outra
participante, Lourvídia Caldas, assistente social
e funcionária pública do Estado do Maranhão,
se disse interessada em métodos para monitoramento
das ações de assistência social
desenvolvidas em seu estado. “Como participo do
Conselho Estadual de Assistência Social, nossa
prioridade no seminário é buscar formas
de estimular nos municípios a existência
de observatórios para que o cidadão participe
do processo.”
Ela disse que na próxima reunião do conselho
vai propor a realização de fóruns
municipais de assistência social para mobilização
nos municípios, deliberação e controle
sobre a destinação de recursos públicos.
“O conhecimento levará à cobrança.
O povo não cobra se não conhece”,
analisa.
Para Fernanda Verillo, diretora de Combate à
Corrupção da entidade Amigos Associados
de Ribeirão Bonito (Amarribo), o evento foi bem
aberto, com espaço para manifestações
e perguntas, e teve a presença de muitos conselheiros
municipais. Segundo ela, “a Amarribo planeja a
oferta de curso para a formação de conselheiros
municipais por meio da internet.”